Cotidiano

Um carro branco entre milhares

Posted on: 24 Março, 2009

A rotina de um taxista paraibano em São Paulo esconde curiosidades

 

Histórias de nordestinos que vieram para São Paulo não são raras. Desde 1960, milhares deles migraram para a terra da garoa em busca de novas oportunidades de emprego e possibilidade de uma vida estável. Com Francisco de Assis da Silva, 54, não foi diferente.

 

Nascido em Campina Grande, na Paraíba, Chico, como prefere ser chamado, mudou-se para São Paulo aos 16 anos. “Fui vendedor de rua, vendia desde móveis usados até maço de cigarros”, diz. Com a pequena verba, não era possível manter a mãe e mais três irmãos, por isso ele optou por sair de casa e tentar a sorte em outro lugar. Na capital paulista, o paraibano conseguiu seu primeiro emprego em uma empresa fazendo entrega como motorista. A partir daí adquiriu gosto pelo volante, e desde 1985 atua como taxista autônomo. “Eu queria trabalhar para mim, não queria depender de ninguém nem ter que encarar o mau humor do chefe estressado”, diz aos risos.

 

Para alguém que não nasceu numa metrópole como São Paulo, pode parecer assustador andar por tantas ruas e avenidas que levam a tantos lugares. Chico foi, aos poucos, se entrosando com a dinâmica da cidade e seus endereços. Primeiro, foi conhecendo bem a zona leste, principalmente os bairros da Penha, Vila Matilde e Aricanduva. Depois, já dominando a região, ele passou a fazer corridas mais longas. Hoje, ele afirma que conhece cada canto de São Paulo como conhece Campina Grande. “Desde sempre faço ponto no metrô Penha. A gente vai se familiarizando, vai reconhecendo as ruas e quando vê, já está lá no Jabaquara”, afirma.

 

Apesar de o táxi ser um meio de transporte caro, o taxista não acredita que possa perder espaço para o transporte coletivo urbano. “O táxi de São Paulo é o mais caro do Brasil, mas pra compensar, essa cidade é muito grande e o dinheiro está sempre circulando. Passageiro nunca me faltou, graças a Deus”.

 

Nestes quase 24 anos de profissão, Chico coleciona histórias tristes e alegres. Ele já foi assaltado duas vezes, ambas à mão armada; recebeu a notícia de que seria avô em pleno o congestionamento da avenida Rubem Berta, e já fez uma longa corrida que, ao final, o passageiro avisou que não tinha dinheiro para pagá-lo. “E já foi mais de uma vez que isso me aconteceu! Da última, a moça foi da cidade universitária até a avenida Paulista, e quando chegamos, ela disse que havia esquecido a carteira em casa…o que eu poderia fazer? Matá-la? Ela simplesmente me entregou um cartão de visita com um número de telefone que nunca atendia”, relembra. Apesar de trabalhar cerca de 10 horas por dia, (“aos domingos um pouco menos e nos feriados sempre descanso”), o taxista afirma que nunca bateu o carro, nem mesmo de leve. O trânsito caótico de São Paulo nunca o envolveu em acidentes. “Considero-me um motorista de sorte, mas também sei que dirijo com responsabilidade e de forma defensiva”, diz.

1 Response to "Um carro branco entre milhares"

Voce devia postar mais mano

eu gosto da suas matérias dignas de G1

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