Cotidiano

Sim ao sexo, mas sem exageros

Posted on: 10 Setembro, 2009

A compulsão sexual é uma doença que não possui cura, mas sim tratamento

Sudorese, mau humor, ansiedade, mudança no comportamento, alto nível de stress. Estes são sintomas comuns em mulheres acometidas pela ninfomania (ou satiríase, para os homens). O distúrbio, que nada tem a ver com “safadeza”, caracteriza-se pelo insaciável desejo sexual, segundo a psicóloga Dra. Guydia Patrícia Costa. Outra característica do transtorno sexual é a falta do envolvimento afetivo, pois o paciente costuma ver o parceiro apenas como um objeto de desejo. Também conhecida como DSH (Distúrbio Sexual Hiperativo), a doença é mais séria do que pode parecer. “Não se trata apenas de uma disfunção sexual, mas sim uma desarmonia psico-sexual que, dependendo dos casos, necessita de acompanhamento psicológico”, diz.

 O DSH não é algo de outro mundo e tem suas origens explicáveis. Geralmente a pessoa com compulsão por sexo já apresenta comportamento compulsivo desde criança, seja por doces ou por outros elementos, segundo a especialista. “O mecanismo da compulsão é o mesmo, só muda o objeto”, afirma.

 O transtorno de sexualidade, tão prejudicial à saúde, faz com que o portador da doença tenha seu cotidiano afetado drasticamente, uma vez que a súbita necessidade de ter relação sexual o acomete em momentos inesperados. “Sinto uma necessidade quase visceral de ter esse tipo de sensação todos os dias”, afirma Vinicius Machado, 23, ator e escritor. De acordo com a psicóloga, essa necessidade profunda é uma compulsão não relacionada à produção de hormônios sexuais, diferente do que muitos pensam. “É possível até compará-la com a compulsão por comida, bebida ou compras”, afirma. Apesar do distúrbio causar alterações na vida cotidiana do paciente, muitos deles não se consideram com problemas. “Eu vou considerar a ninfomania uma doença quando começar a prejudicar a vida das pessoas que eu gosto. Por enquanto, para mim é apenas um hábito de que gosto muito”, diz Machado.

 Apesar de conhecido por muitos, o DSH é um distúrbio que nem sempre é identificado pelo portador. “Costumo ter relações de cinco a seis vezes por semana com meu namorado, mas, por mantermos um relacionamento aberto, aos finais de semana sempre conheço outras pessoas. Não acho que tenho problemas, gosto de sexo e não considero isso uma doença”, afirma Fernanda Silva, 22, estudante.

 Quando o sexo vira um drama

 O excesso de apetite sexual nem sempre é positivo em uma relação. O momento de intimidade de um casal muitas vezes pode tornar-se angustiante para o parceiro de um viciado em sexo. “No começo, você pensa que é muito especial porque o companheiro manifesta desejo o tempo todo. Depois, quando a realidade se revela e você percebe que o desejo não é exatamente dirigido a você, mas que ele existe por si só, e que o objeto desse desejo pode mudar várias vezes ao dia, o seu coração se despedaça”, diz Silvana Lacerda, 38, jornalista. A compulsão sexual do parceiro pôs fim ao relacionamento de Silvana, deixando cicatrizes sentimentais. “Após várias traições, demorei dois anos para me refazer e precisei de muita terapia para ter coragem de me envolver de novo. O medo de sofrer novas humilhações me impedia de dar abertura a um relacionamento mais profundo”, afirma.

 Outro caso semelhante ocorreu com o autônomo Fabiano Amaral, 27. Ele afirma ter namorado uma garota ninfomaníaca e que o relacionamento ficou insustentável quando sua vida social foi afetada. “Eu já nem podia mais almoçar com a família aos domingos porque era impossível estarmos todos reunidos. Ela sempre dava um jeito de me chamar e se esconder em algum canto da casa para termos relações. E isso acontecia várias vezes durante todo o dia. No começo achava divertido, mas depois eu não tinha mais paz”, diz. Apesar de Fabiano considerar o sexo um elemento muito importante numa relação amorosa, o rapaz teve que interromper o namoro por causa da compulsão de sua companheira. “Muita gente pode achar maravilhoso namorar uma pessoa assim, mas posso garantir que não é nada saudável. Havia momentos em que eu me sentia completamente sufocado, não me sentia amado ou valorizado, eu tinha a obrigação de satisfazê-la (o que era impossível) e somente isso. Assim não há amor que aguente”, finaliza.

 Especialistas recomendam o auxílio médico logo nos primeiros sintomas para dar início ao tratamento desta compulsão. “A psicoterapia é bastante indicada nesses casos, mas o mais importante é que se tenha consciência e assuma o problema, sem medo e sem culpa”, explica a Dra. Guydia Patrícia Costa.

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